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Artesão de AL supera depressão ao criar luminárias de coité

Fruto: coité iluminado ganha nova vida pelas mãos do talentoso artesão Enauro Rocha Um fruto que já fez parte da rotina das famílias do interior ganhou uma...

Artesão de AL supera depressão ao criar luminárias de coité
Artesão de AL supera depressão ao criar luminárias de coité (Foto: Reprodução)

Fruto: coité iluminado ganha nova vida pelas mãos do talentoso artesão Enauro Rocha Um fruto que já fez parte da rotina das famílias do interior ganhou uma nova utilidade nas mãos do artesão Enauro Rocha. Natural de Atalaia e morador de Maceió, ele transforma o coité, também conhecido como cuieira, cabaça ou cuité, em luminárias artesanais. O trabalho, além de se tornar fonte de renda, foi fundamental para ajudá-lo a superar a depressão após um acidente que comprometeu suas capacidades motoras e cognitivas. 📲Participe do canal do g1 Alagoas O que é o coité: fruto tradicionalmente usado como utensílio doméstico, mas que andava esquecido nas últimas décadas. Processo de criação: as peças começam a ser produzidas meses antes. É preciso esperar cerca de três meses para o fruto secar completamente. Depois, a polpa é retirada e a casca é lixada, perfurada e recebe acabamento até virar luminária. Preservação: para evitar a extinção da árvore em Alagoas, o artesão distribui mudas e compra os frutos de outros produtores locais. LEIA TAMBÉM: Por que arte e trabalhos manuais melhoram a saúde mental De utensílio doméstico a arte Arvore do coité, rara em Alagoas. Reprodução/ Tv Asa Branca Alagoas Antes de trabalhar com o coité, Enauro utilizava o coco como matéria-prima. A mudança aconteceu após ele receber o fruto de presente de uma tia. "Antigamente, o coité era usado como utensílio doméstico. Servia como escorredor de arroz, cuia para banho e pãozeira. Mas, com o advento do plástico e do alumínio, ficou esquecido", contou em entrevista à TV Asa Branca Alagoas. Segundo ele, o desmatamento fez com que a árvore quase entrasse em extinção no estado. Para incentivar a preservação da espécie, ele passou a distribuir mudas e a comprar os frutos produzidos por outras pessoas. "Eu presenteei muitas pessoas com o pé do coité e, hoje, passou a ser fonte de renda, porque eu compro delas os coités", afirmou. Acidente e superação da depressão O artesão Enauro Rocha, de Alagoas, superou a depressão ao transformar o fruto coité em luminárias artesanais após sofrer um grave acidente. Reprodução/ Tv Asa Branca Alagoas As conquistas com a arte vieram após um período difícil. Depois de sofrer um acidente, Enauro precisou interromper as atividades por orientação médica, mas o afastamento acabou afetando sua saúde mental. "Quando eu me acidentei, o médico falou para eu passar um ano sem trabalhar para me recuperar. Quando deu cinco meses, comecei a entrar em depressão porque não trabalhava. Comecei a sentir falta das minhas mãos para trabalhar", contou. Mesmo enfrentando limitações físicas, ele decidiu voltar ao ateliê e retomar a produção. "Não sabia usar o celular, não sabia usar uma máquina, as pessoas me ajudavam. Os desenhos saíam tortos, mas consegui dar a volta por cima. Não fiquei 100%, mas melhorei bastante. Tem uns problemas de memória, mas em relação à arte, ela permanece presente." Inspiração materna Luminária feita de coité por artesão alagoano. Reprodução/ Tv Asa Branca Alagoas Autodidata, Enauro diz que a inspiração para o trabalho manual veio da mãe, que fazia bordados e outros trabalhos manuais. "A minha fonte de inspiração foi ela. Eu via ela fazendo trabalhos minuciosos, muito pequenininhos, e aquilo me chamou muita atenção. Tentei segui-la mais ou menos no que ela fazia", relembrou. A dedicação levou o artesão a participar de feiras pelo país. Depois de exposições em São Paulo, ele afirma que já conheceu grande parte do Brasil por meio do trabalho e se prepara para novos eventos. "Participei de feiras em São Paulo. Depois vieram outras feiras e já conheço uma grande parte do Brasil. Este ano vou para o Rio de Janeiro", disse.