Quem era 'El Mencho', o narcotraficante mais procurado do México morto em operação militar
Nemesio Oseguera Cervantes era um dos fundadores do Cartel Jalisco Nueva Generación. Departamento de Estado dos EUA via BBC O Exército mexicano informou que m...
Nemesio Oseguera Cervantes era um dos fundadores do Cartel Jalisco Nueva Generación. Departamento de Estado dos EUA via BBC O Exército mexicano informou que matou neste domingo (22/2) o poderoso chefe do narcotráfico Nemesio Oseguera. Conhecido como "El Mencho", ele era líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e um dos homens mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos. A operação militar foi realizada no município de Tapalpa, a 130 quilômetros ao sul de Guadalajara, capital de Jalisco — Estado sede de quatro partidas da próxima Copa do Mundo de 2026. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Sob a liderança de "El Mencho", o CJNG se tornou uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do país. Supostos integrantes do crime organizado responderam à morte do traficante com bloqueios a diversas vias nos estados de Jalisco, Michoacán (oeste do México) e Tamaulipas (norte), em meio a confrontos com forças federais de segurança. Em Guanajuato, houve incêndios em farmácias e lojas. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou que a operação resultou em "confrontos na região" e que, como reação, "em diferentes pontos de Jalisco indivíduos queimaram e atravessaram veículos para impedir a ação das autoridades". A embaixada dos EUA no México divulgou um comunicado informando que "devido às operações de segurança em curso em vários estados e aos bloqueios de rodovias e atividades criminosas relacionadas, cidadãos norte-americanos nessas regiões devem buscar abrigo até novo aviso". Conhecido como "El Mencho", Oseguera Cervantes, de 56 anos, era o principal líder do CJNG, uma das organizações criminosas mais violentas e com maior presença territorial no México e que, no início do ano passado, foi designada pelo governo dos EUA como organização terrorista. Grupos do crime organizado responderam de forma violenta a uma operação em Jalisco para deter um alvo prioritário de segurança Getty Images via BBC A Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) colocou "El Mencho", em 2020, como seu principal alvo em sua conhecida lista de fugitivos mais procurados. Desde então, oferecia US$ 15 milhões (cerca de R$ 77,6 milhões) por informações que levassem à sua captura. E o atual governo de Donald Trump incluiu o CJNG em uma lista de organizações terroristas que busca combater no continente americano. A designação mudou a forma como os agentes norte-americanos estruturam seus casos contra os cartéis. Antes, eles precisavam justificar uma ameaça a um cidadão dos EUA; agora, qualquer vínculo com o grupo já é motivo de investigação. Ascensão como líder do CJNG Após a prisão e extradição para os EUA de Joaquín "El Chapo" Guzmán, em 2017, o grande alvo das forças antidrogas do México era Oseguera Cervantes. Também chamado Nemesio Oseguera Ramos ou Rubén Oseguera Cervantes, e com vários apelidos, como "El Mencho" ou "El Señor de los Gallos", ele nasceu na região conhecida como Tierra Caliente, em Michoacán, provavelmente em Uruapan ou Aguililla. Na década de 1980, migrou para os Estados Unidos. Na Califórnia, foi detido várias vezes por delitos menores, mas já no início da década de 1990 começou a se envolver com a venda de drogas, o que levou à sua deportação. Ao retornar ao México, ingressou na polícia de um município de Jalisco, mas optou por se envolver no círculo de proteção do narcotraficante Armando Valencia Cornelio, "El Maradona", chefe do cartel Los Valencia (ou Cartel del Milenio). O grupo mantinha uma aliança com o Cartel de Sinaloa, mas se separou em 2010, após a morte de um de seus fundadores, Ignacio "Nacho" Coronel. Ao lado do cunhado Abigael González Valencia, "El Cuini", herdou parte de sua estrutura. A partir desse momento nasceu o CJNG — e a carreira criminosa de "El Mencho" se acelerou. Na década de 1980, Oseguera Cervantes foi preso na Califórnia SFPD via BBC A expansão do CJNG Em poucos anos, o CJNG passou de uma quadrilha local nos estados de Jalisco e Colima a uma organização com presença em mais da metade do território mexicano. Seu principal negócio se concentrava no mercado ilegal de anfetaminas nos Estados Unidos e na Europa, mas também foram detectados vínculos entre o grupo e o mercado de drogas na Ásia. Por trás do crescimento acelerado do CJNG há várias razões. Uma delas foi a captura de muitos dos principais líderes de cartéis rivais, o que levou à fragmentação de alguns grupos ou quase à extinção de outros, como Los Templarios, no estado de Michoacán. O CJNG ocupou os espaços deixados pelos rivais no mercado. Outro motivo foi o recrutamento de especialistas em finanças e químicos que desenvolvem novas fórmulas para fabricar drogas sintéticas. O CJNG é conhecido por suas violentas tomadas de veículos de civis. Getty Images via BBC A violência do cartel também tem sido um fator central. As autoridades apontaram, na última década, "El Mencho" como um personagem de alta periculosidade, com grande poder de fogo. Alguns especialistas afirmam que Oseguera Cervantes cresceu precisamente ao "triturar" seus grupos rivais. Os interesses do CJNG e de seu líder não se limitaram ao narcotráfico. Ele aproveitou o crescimento econômico nos setores de pecuária, agricultura e construção em Jalisco para criar negócios nessas áreas e utilizá-los como vias de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico. O CJNG também se destacou por seu poder de corrupção sobre autoridades locais e aduaneiras. Isso facilitou a entrada de precursores ou substâncias iniciais para a fabricação de drogas sintéticas pelos portos de Manzanillo, em Colima, e Lázaro Cárdenas, em Michoacán, ambos na costa oeste do México. Outra fonte de renda foi a extorsão de pequenos e médios negócios no oeste do México. O DEA oferecia US$ 15 milhões de recompensa por informações que levassem à captura de Oseguera Cervantes DEA via BBC No entanto, desde 2022 circulam rumores sobre seu estado de saúde. Em pelo menos duas ocasiões, sua morte foi noticiada, algo que as autoridades não conseguiram confirmar. Especialistas apontam que, provavelmente, "El Mencho" já não estava diretamente à frente das operações do CJNG. Um de seus filhos, Rubén Oseguera González — considerado o segundo na hierarquia do grupo — foi extraditado em 2020 do México para os EUA, em uma ação considerada um dos golpes mais duros contra a organização até então. Sua esposa, Rosalinda González Valencia, também foi presa em 2021 e condenada dois anos depois por acusações relacionadas ao crime organizado. Ela deixou a prisão no fim de fevereiro passado, após obter liberdade antecipada.