Secretário da Guerra de Trump anuncia que vai testar tropas para saber se houve queda de testosterona entre militares
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, fala durante uma declaração à imprensa ao chegar para uma reunião de ministros da defesa da OTAN n...
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, fala durante uma declaração à imprensa ao chegar para uma reunião de ministros da defesa da OTAN na sede da organização em Bruxelas, quinta-feira, 18 de junho de 2026. AP Photo/Virginia Mayo O Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (15) a implementação de um novo programa de triagem para "deficiência de testosterona" entre as tropas, classificando-o como necessário para permitir que atuem em seu "desempenho máximo". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As novas triagens serão realizadas anualmente como parte dos exames médicos obrigatórios para militares com 30 anos ou mais, afirmou ele. Militares com menos de 30 anos poderão se voluntariar para os testes. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Hegseth refere-se genericamente às tropas, embora pareça estar tratando apenas de testar homens fardados quanto a irregularidades hormonais. A medida ocorre em um momento em que outras autoridades da administração Trump começaram a defender um acesso mais fácil a terapias de reposição de testosterona para homens; no entanto, as declarações de Hegseth e de outros misturam conhecimentos científicos estabelecidos sobre o hormônio com alegações mais amplas e menos fundamentadas. Agora no g1 Ao ser questionado sobre quais condições Hegseth pretendia abordar com a nova política, o Pentágono remeteu às declarações feitas por ele no vídeo, nas quais mencionava a necessidade de manter as tropas "fortes, resilientes e capazes" e afirmava que os rigores do campo de batalha moderno exigem "máxima prontidão psicológica e mental". O Pentágono não especificou quais condições ou doenças seriam o alvo da política. No vídeo, Hegseth afirmou que a adesão à terapia de reposição de testosterona seria voluntária. Nos últimos anos, tropas de operações especiais — especificamente os Navy SEALs — têm sido alvo de escrutínio devido ao uso de testosterona e substâncias similares para melhorar o desempenho. A morte de um recruta dos SEALs durante o treinamento em 2022 levou à descoberta de substâncias em sua posse, incluindo testosterona, e revelou um uso de drogas muito mais disseminado nesse programa de elite do que se admitia anteriormente. Um ano após a morte do recruta, a Marinha anunciou que iniciaria um programa de testes toxicológicos para detectar "qualquer substância hormonal, química ou farmacologicamente relacionada à testosterona, que promova o crescimento muscular". Hegseth afirmou que sua nova iniciativa "não trata de aprimoramento artificial". O Pentágono não respondeu a perguntas sobre quais pesquisas ou estudos acadêmicos embasaram a medida. Também não informou se militares do sexo feminino poderiam passar por triagem para verificar a redução dos níveis de estrogênio ao entrarem na perimenopausa. Os níveis de testosterona nos homens diminuem naturalmente com a idade e estão associados, há muito tempo, a problemas como disfunção erétil, baixa libido, alterações de humor e ganho de peso. No entanto, especialistas debatem há anos como diagnosticar esses problemas e se eles devem ser tratados com a reposição do hormônio. O anúncio de Hegseth ocorre em um momento em que o Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e outras autoridades da administração Trump estão tomando medidas para facilitar a prescrição de testosterona por médicos. No mês passado, a FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA) propôs flexibilizar as restrições de prescrição para géis, comprimidos, adesivos e injeções de testosterona. As atuais diretrizes da FDA especificam que esses medicamentos são destinados apenas a homens com hipogonadismo, uma condição médica que causa níveis drasticamente baixos de testosterona. Contudo, muitos influenciadores e defensores do movimento "Make America Healthy Again" (Tornar a América Saudável Novamente), liderado por Kennedy, promovem a testosterona como uma forma de parecer mais jovem, ganhar massa muscular e manter a agilidade mental — embora esses usos não sejam reconhecidos pela maioria dos especialistas médicos. Ainda assim, estudos recentes reforçaram as evidências sobre os benefícios da testosterona para certas condições, ao mesmo tempo em que dissiparam preocupações quanto à sua segurança — particularmente no que diz respeito à saúde cardiovascular. No ano passado, a FDA removeu dos medicamentos o alerta de destaque (conhecido como *boxed warning*) sobre possíveis riscos de ataque cardíaco e derrame. Paralelamente, uma série de estudos realizados pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) com homens mais velhos constatou que o uso de testosterona melhorou a disfunção erétil, a libido e outros aspectos da função sexual, além de ter um efeito leve sobre o humor. No entanto, houve pouca ou nenhuma melhora em outros indicadores, como fadiga, memória ou bem-estar geral. Outros estudos apontaram possíveis melhorias no ganho de massa muscular, na força física e na densidade óssea. Contudo, as diretrizes médicas atuais geralmente desaconselham a realização de exames de rotina para verificar os níveis de testosterona em toda a população. Normalmente, recomenda-se que os médicos discutam a terapia com testosterona com homens que apresentem sintomas preocupantes e níveis comprovadamente baixos do hormônio em dois exames de sangue distintos. A realização de exames de testosterona é um desafio, pois os níveis do hormônio oscilam ao longo do dia. Leituras precisas são geralmente obtidas por meio de exames realizados pela manhã, após um período de jejum.